segunda-feira, novembro 12, 2007

Construir caminhos de comunhão

«A palavra de ordem era, e é, construir caminhos de comunhão», disse Bento XVI esse sábado aos bispos de Portugal.

Na véspera do encerramento da visita ad limina apostolorum do episcopado português ao Papa e à Cúria Romana, Bento XVI deu indicações que devem servir de luzes para o desenvolvimento do trabalho apostólico na nação para os próximos anos.

Segundo recorda o pontífice, baseado nos informes que os bispos portugueses lhe apresentaram, constata-se no país uma grande «falta de participação na vida comunitária».

Diante disso, assinalou o pontífice, é preciso «construir caminhos de comunhão».

«É preciso mudar o estilo de organização da comunidade eclesial portuguesa e a mentalidade dos seus membros para se ter uma Igreja ao ritmo do Concílio Vaticano II, na qual esteja bem estabelecida a função do clero e do laicado, tendo em conta que todos somos um, desde quando fomos batizados e integrados na família dos filhos de Deus, e todos somos corresponsáveis pelo crescimento da Igreja.»

De acordo com Bento XVI, «esta eclesiologia da comunhão na senda do Concílio, à qual a Igreja portuguesa se sente particularmente interpelada na sequência do Grande Jubileu», é «a rota certa a seguir».

«Sem perder de vista eventuais escolhos tais como o horizontalismo na sua f onte, a democratização na atribuição dos ministérios sacramentais, a equiparação entre a Ordem conferida e serviços emergentes, a discussão sobre qual dos membros da comunidade seja o primeiro (inútil discutir, pois o Senhor Jesus já decidiu que é o último).»

Com isto – prosseguiu o Santo Padre – «não quero dizer que não se deva discutir acerca do reto ordenamento na Igreja e sobre a atribuição das responsabilidades; sempre haverá desequilíbrios, que exigem correção».

«Mas tais questões não nos podem distrair da verdadeira missão da Igreja: esta não deve falar primariamente de si mesma, mas de Deus», afirmou Bento XVI.

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quinta-feira, maio 17, 2007

O piercing na ponta da língua - I

A Igreja e os jovens em Viana do Castelo

A peripécia ocorreu-me há poucos dias em Fátima: ao distribuir a comunhão, uma acólita apresentou-se a comungar na boca com um piercing na ponta da língua. Não fiz expressão da minha surpresa, dei-lhe a sagrada partícula e continuei. Mas fiquei a pensar…

Teológica e pastoralmente nada tem de mal comungar com um piercing na língua. O corpo eucaristizado de Jesus é reservado e exposto em vasos metálicos, tocado pelas nossas mãos indignas e assimilado pelo nosso corpo de pecado. Mas a surpresa que em mim provocou a irreverência da estética e postura juvenis reflecte aquilo que eu creio ser o relacionamento da Igreja com os jovens em todo o país mas, particularmente, em Viana do Castelo.

Os jovens não se apresentam hoje nas paróquias como antes, quando se apresentam. Distinguem-se por uma saudável irreverência que, por vezes, inspira surpresa nos catequistas e párocos; outras vezes, provoca escândalo; algumas, obtêm desprezo; muitas, pura indiferença.

Claro que todos nós gostávamos que a presença juvenil fosse mais numerosa e mais activa. Mas é verdade que em vários arciprestados e paróquias não há jovens residentes. E onde os há é necessária uma grande criatividade e espírito de militância vacinado de anti-desânimo para fazer algo, e esse algo é apresentar Jesus.

Eu sonho. Sonho com uma diocese onde os jovens, seus animadores e párocos conversem, se encontrem, partilhem a vida e a fé. Sonho com jovens que procuram, que não se ficam pela banalidade, que não se acomodam. Sonho com paróquias onde os jovens se integrem, participem, sejam tomados em conta. Sonho com animadores e párocos que lutam e não se cansam de ir atrás dos jovens. Mesmo quando os colegas não apoiam. Sonho com uma diocese que tenha brio em reunir os seus jovens no VIII VIANA JOVEM. Sonho com uma diocese onde os jovens e o seu bispo passam tempo juntos.

Oxalá algumas vezes fôssemos nós – padres e animadores a pôr o piercing na língua à hora de falar aos jovens, capazes de lhes propor uma Pessoa que 2007 ou mais anos depois, ainda provoca espanto, saudável espanto em quem O encontra.

Pelo SDPJ, Pe. Pablo Lima

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Secretariado Diocesano de Pastoral Juvenil de Viana do Castelo, Cúria Diocesana. Convento de São Domingos. 4900-864 Viana do Castelo Telef.258-824567 Fax.258-824459 Email: jotas@tugamail.com